O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, comandado por Gabriel Galípolo, deve elevar nesta quarta-feira (7) a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual, alcançando 14,75% ao ano — o patamar mais elevado desde agosto de 2006. A informação é da Bloomberg, que consultou 32 instituições financeiras: 31 delas preveem o aumento de 0,5 ponto e uma aposta em alta de 0,25 ponto. Com essa decisão, a Selic atinge o maior nível em quase duas décadas, em um movimento que pode marcar o fim do atual ciclo de alta e abrir caminho para um processo de flexibilização monetária ainda em 2025.
Termos como “incerteza”, “cautela” e “flexibilidade” têm sido recorrentes nas falas públicas dos membros do Copom, o que, segundo analistas, reforça a perspectiva de uma mudança na comunicação do Banco Central. O contexto global também influencia a decisão. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apesar de pressionar por juros mais baixos, deve ver o Federal Reserve manter inalterada a taxa entre 4,25% e 4,50% ao ano. As medidas protecionistas adotadas por Trump, como o recente “tarifaço”, têm gerado expectativas de redução nos preços de commodities e valorização do real, o que pode contribuir para a desaceleração da inflação brasileira.
Para Marco Antonio Caruso, economista do Santander, o impacto externo pode acelerar o início do ciclo de baixa: “Se você quer cautela, quer flexibilidade e [o cenário] está incerto, está chegando o momento de reduzir o passo. Não agora, porque ainda temos uma desancoragem das expectativas de inflação persistente”, afirmou. O banco prevê o fim do ciclo de alta já nesta reunião.
Sinalizações discretas e dependência de dados
A expectativa de que o Copom adote uma comunicação mais branda, sem compromissos explícitos, é compartilhada por vários analistas. Caruso cita como referência o comunicado de agosto de 2022, quando o comitê indicou a possibilidade de um ajuste residual de menor magnitude na reunião seguinte. A economista Tatiana Pinheiro, da Galapagos Capital, também acredita em uma postura mais dependente da evolução dos indicadores. “Quando o BC está perto de encerrar o trabalho, costuma enfatizar que grande parte do ajuste já foi feita. Esse discurso não tem sido adotado até agora”, observou.
Pinheiro projeta aumento de 0,5 ponto nesta quarta e outro de 0,25 ponto em junho, com a Selic chegando a 15%. Para ela, um corte pode ocorrer em dezembro, caso haja desinflação impulsionada pelo tarifaço dos EUA, avanço na política fiscal e persistência dos efeitos da alta de juros. “A combinação desses três fatores abre espaço para o Banco Central começar a cortar juros no final do ano”, concluiu.
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