Sexta, 27 de Fevereiro de 2026
Economia Economia Criativa

Carnaval da Bahia: da potência cultural à estratégia de desenvolvimento nacional

Após publicar análise sobre a economia criativa, aprofundo o debate a partir da missão internacional do MinC com Mariana Mazzucato e as novas perspectivas para políticas públicas no Brasil

27/02/2026 09h27
Por: Redação Fonte: Tarcio Mota
Carnaval da Bahia: da potência cultural à estratégia de desenvolvimento nacional

No dia 17 de fevereiro publiquei, neste espaço, a matéria intitulada “Carnaval da Bahia: patrimônio cultural vivo e motor da economia criativa”. Na ocasião, destaquei o Carnaval como expressão cultural estruturante e vetor econômico permanente. Agora, ao tomar conhecimento da missão internacional promovida pelo Ministério da Cultura (MinC) com a economista Mariana Mazzucato, trago uma ampliação desse debate à luz das conclusões apresentadas pela pesquisadora.

A agenda percorreu Rio de Janeiro, Brasília e Salvador, reunindo gestores públicos, pesquisadores, blocos afro, organizações culturais e iniciativas de direitos humanos. O objetivo foi analisar o Carnaval brasileiro como campo estratégico de pesquisa, formulação de políticas públicas e fortalecimento da economia criativa.

Mariana Mazzucato, professora da University College London e diretora do Institute for Innovation and Public Purpose, reforçou um ponto essencial: o Carnaval não pode ser compreendido apenas como evento festivo ou sazonal. Trata-se de uma economia contínua, capaz de gerar trabalho, renda, inovação e valor público durante todo o ano.

Para mim, essa abordagem dialoga diretamente com o que já venho defendendo: o Carnaval é um ecossistema econômico e social. Ele movimenta cadeias produtivas, ativa territórios, promove inclusão e fortalece identidades culturais.

Durante a missão, Mariana destacou a necessidade de valorizar as pessoas e comunidades que constroem o Carnaval. Segundo ela, é fundamental garantir financiamento adequado, com dignidade, escuta ativa e trabalho conjunto com as comunidades responsáveis por essa imensa criação de valor coletivo. Essa perspectiva desloca o foco do espetáculo para as pessoas — trabalhadores, famílias, artistas, técnicos e produtores que sustentam a engrenagem cultural.

A secretária de Economia Criativa do MinC, Cláudia Leitão, também enfatizou que estamos falando de economia — e de uma das mais potentes do país. Para ela, compreender o Carnaval como setor estratégico é passo decisivo para consolidar uma economia criativa justa, inclusiva, sustentável e com protagonismo internacional.

Observo que essa cooperação entre o Ministério da Cultura e o instituto liderado por Mariana Mazzucato representa um avanço relevante na construção de uma agenda de pesquisa aplicada à formulação de políticas públicas. O Brasil passa a tratar o Carnaval não apenas como tradição cultural, mas como modelo concreto de desenvolvimento sustentável baseado na cultura.

Reforço, portanto, a tese central: o Carnaval da Bahia — e do Brasil — é patrimônio vivo, mas também é política pública, economia estruturada e estratégia de futuro. A cultura deixa de ocupar posição periférica e passa a integrar o centro do projeto de desenvolvimento nacional.

 

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Tarcio Mota
Sobre Tarcio Mota

Tárcio Mota é um profissional consolidado no campo da cultura, comunicação e participação social, com experiência comprovada em gestão pública, produção cultural, consultoria técnica e articulação institucional. Sua trajetória demonstra não apenas capacidade técnica, mas compromisso com a inclusão cultural, com o desenvolvimento regional e com a construção de políticas que favoreçam o acesso e a sustentabilidade do setor cultural.

Com ampla experiência na formulação, gestão e implementação de políticas culturais, articulando cultura, participação social e desenvolvimento territorial, seu histórico profissional combina atuação no setor público, terceiro setor, instituições do Sistema S e iniciativas independentes, sempre com foco na democratização do acesso à cultura e no fortalecimento de redes culturais

*Experiência Profissional*

Gestão Pública & Cultura

Superintendente de Participação Popular – Prefeitura de Alagoinhas

Coordenador do Centro de Cultura de Alagoinhas

Gestor Cultural – Secretaria de Cultura do Estado da Bahia

Terceiro Setor & Sistema S

Produtor Cultural – SESC Bahia

Coordenador de Projetos – Cáritas Diocesana de Alagoinhas – Projeto Cisternas

Consultoria em Políticas Culturais

Consultor para as prefeituras de Inhambupe e Aramari

Assessoramento na elaboração de planos, diagnósticos e articulação com comunidade e organizações culturais

Comunicação & Educação

Analista de Comunicação – Assembleia Legislativa da Bahia / Câmara dos Deputados

Professor da rede estadual de ensino

Projetos e Contribuições Independentes

Atuando por meio da Oxente Gestão Cultural, Tárcio idealizou e executou projetos culturais independentes focados em:espetáculos artísticos;exposições temáticas;ações formativas;mobilização de públicos diversos;fortalecimento da economia criativa local

*Formação*

Graduado em Jornalismo (UFRB), Mestre em Crítica Cultural (UNEB), Doutorando em Cultura e Sociedade (UFBA), o jovem profissional ainda possui ampla formação complementar no campo cultural e social:

Diálogos Nacionais: Legados da Lei Aldir Blanc – Escola de Políticas Culturais

Elaboração e Gestão de Projetos Sociais e Culturais – UFRB

Comunicação e Políticas Públicas – Fundação Perseu Abramo

Captação de Recursos e Elaboração de Projetos – Consultre

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Gestão Cultural (Metodologia PEC) – SEBRAE

Financiamento da Cultura – SEBRAE/BA

Gestão e Produção Cultural – UFRB

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