No dia 17 de fevereiro publiquei, neste espaço, a matéria intitulada “Carnaval da Bahia: patrimônio cultural vivo e motor da economia criativa”. Na ocasião, destaquei o Carnaval como expressão cultural estruturante e vetor econômico permanente. Agora, ao tomar conhecimento da missão internacional promovida pelo Ministério da Cultura (MinC) com a economista Mariana Mazzucato, trago uma ampliação desse debate à luz das conclusões apresentadas pela pesquisadora.
A agenda percorreu Rio de Janeiro, Brasília e Salvador, reunindo gestores públicos, pesquisadores, blocos afro, organizações culturais e iniciativas de direitos humanos. O objetivo foi analisar o Carnaval brasileiro como campo estratégico de pesquisa, formulação de políticas públicas e fortalecimento da economia criativa.
Mariana Mazzucato, professora da University College London e diretora do Institute for Innovation and Public Purpose, reforçou um ponto essencial: o Carnaval não pode ser compreendido apenas como evento festivo ou sazonal. Trata-se de uma economia contínua, capaz de gerar trabalho, renda, inovação e valor público durante todo o ano.
Para mim, essa abordagem dialoga diretamente com o que já venho defendendo: o Carnaval é um ecossistema econômico e social. Ele movimenta cadeias produtivas, ativa territórios, promove inclusão e fortalece identidades culturais.
Durante a missão, Mariana destacou a necessidade de valorizar as pessoas e comunidades que constroem o Carnaval. Segundo ela, é fundamental garantir financiamento adequado, com dignidade, escuta ativa e trabalho conjunto com as comunidades responsáveis por essa imensa criação de valor coletivo. Essa perspectiva desloca o foco do espetáculo para as pessoas — trabalhadores, famílias, artistas, técnicos e produtores que sustentam a engrenagem cultural.
A secretária de Economia Criativa do MinC, Cláudia Leitão, também enfatizou que estamos falando de economia — e de uma das mais potentes do país. Para ela, compreender o Carnaval como setor estratégico é passo decisivo para consolidar uma economia criativa justa, inclusiva, sustentável e com protagonismo internacional.
Observo que essa cooperação entre o Ministério da Cultura e o instituto liderado por Mariana Mazzucato representa um avanço relevante na construção de uma agenda de pesquisa aplicada à formulação de políticas públicas. O Brasil passa a tratar o Carnaval não apenas como tradição cultural, mas como modelo concreto de desenvolvimento sustentável baseado na cultura.
Reforço, portanto, a tese central: o Carnaval da Bahia — e do Brasil — é patrimônio vivo, mas também é política pública, economia estruturada e estratégia de futuro. A cultura deixa de ocupar posição periférica e passa a integrar o centro do projeto de desenvolvimento nacional.
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