José Alberto "Pepe" Mujica Cordano, uma das figuras mais emblemáticas da política latino-americana, faleceu hoje (13). Nascido em 20 de maio de 1935, em Montevidéu, Uruguai, Mujica teve uma trajetória marcada por militância, resistência, prisão e, posteriormente, liderança política.
Na década de 1960, Mujica ingressou no Movimento de Libertação Nacional-Tupamaros (MLN-T), um grupo guerrilheiro de esquerda que combatia a desigualdade social e a repressão no Uruguai. Participou de diversas ações armadas, incluindo assaltos e sequestros, como a "Tomada de Pando" em 1969, quando os tupamaros ocuparam delegacias, bancos e centrais telefônicas na cidade de Pando.
Mujica foi preso quatro vezes. Em 1972, após ser baleado com seis tiros durante uma tentativa de prisão, foi capturado e iniciou um longo período de encarceramento que duraria quase 15 anos, até 1985 . Durante a ditadura militar uruguaia (1973-1985), foi mantido em condições desumanas, incluindo longos períodos de isolamento, sendo considerado um dos "reféns" do regime, que ameaçava executá-los caso os tupamaros retomassem ações armadas .
Com a redemocratização do Uruguai em 1985, Mujica foi libertado sob uma lei de anistia. Junto a outros ex-militantes, fundou o Movimento de Participação Popular (MPP), integrado à coalizão de esquerda Frente Ampla. Foi eleito deputado em 1994 e senador em 1999. Em 2005, assumiu o cargo de Ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca no governo de Tabaré Vázquez .
Em 2009, Mujica foi eleito presidente do Uruguai, exercendo o mandato de 2010 a 2015. Durante seu governo, implementou reformas sociais progressistas, como a legalização do aborto, do casamento igualitário e da maconha, tornando o Uruguai pioneiro na América Latina nessas questões . Conhecido por seu estilo de vida austero, recusou-se a morar no palácio presidencial, preferindo sua modesta chácara nos arredores de Montevidéu, e doava grande parte de seu salário para instituições de caridade.
Pepe na posse de Lula em 2023 Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Após deixar a presidência, Mujica continuou ativo na política como senador até 2018. Em 2025, enfrentando um câncer de esôfago, optou por não continuar o tratamento após o agravamento da doença. Faleceu em 13 de maio de 2025, aos 89 anos, em sua residência . Seu legado é lembrado por sua integridade, simplicidade e compromisso com a justiça social.
A experiência de Mujica durante a ditadura foi retratada no filme "Uma Noite de 12 Anos" (2018), dirigido por Álvaro Brechner, que narra os anos de prisão e tortura sofridos por ele e outros dois companheiros tupamaros
José "Pepe" Mujica permanece como um símbolo de resistência, humildade e dedicação ao bem comum, inspirando gerações em todo o mundo.
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