O movimento 6 Direitos, 1 Sentido lançou, durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o "Manifesto dos Vivos pelo Direito ao Sentido", documento que propõe ampliar o debate sobre saúde mental, qualidade de vida e o direito à autonomia sobre o próprio tempo. A iniciativa parte da mobilização pelo fim da escala de trabalho 6x1 e defende que o tema seja incorporado à discussão sobre direitos fundamentais.
O lançamento ocorreu na programação da Flip e contou com a presença da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia. O manifesto apresenta a cultura, a filosofia, a ciência e a produção artística como instrumentos para estimular reflexões sobre os impactos do excesso de trabalho e da falta de tempo na vida cotidiana.
Idealizado pelo jurista e poeta Juliano Napoleão, pelo professor Yussef Campos, pela pesquisadora e poeta Fer Lima e pela pesquisadora, intérprete e mediadora cultural Fernanda Carolina Torres, o projeto reúne diferentes áreas do conhecimento para discutir cidadania, saúde mental e bem-estar. Segundo Juliano Napoleão, a proposta vai além da redução da jornada de trabalho. "Para enfrentar a crise de saúde mental que vivemos, superar a escala 6x1 é urgente e insuficiente. O que propomos ao articular ciência, filosofia, arte e as ruas é um ato de legítima defesa: a inclusão do Direito ao Sentido em nossa Constituição", afirmou.
De acordo com os organizadores, o chamado Direito ao Sentido está relacionado ao direito das pessoas exercerem autonomia sobre o próprio tempo de vida, contemplando momentos de descanso, cultura, lazer, contemplação e convivência. "Viver não é sobreviver. A vida digna exige descanso, cuidado, desconexão, cultura, contemplação e sonho. Liberdade é tempo livre", destacou Napoleão.
Além da leitura pública do manifesto, a programação incluiu apresentações literárias, debates com o público e o lançamento da música "6x1", interpretada por Juliano Napoleão e Fernanda Carolina Torres. A canção fará parte de um álbum previsto para o segundo semestre deste ano.
Os organizadores informaram que o movimento desenvolverá, entre julho de 2026 e julho de 2027, uma agenda nacional de atividades com lançamentos de livros, apresentações musicais, intervenções urbanas, debates, podcasts e publicações acadêmicas. A proposta é ampliar a discussão sobre saúde mental, qualidade de vida e os impactos das atuais relações de trabalho na sociedade contemporânea.
Foto: Juliano Napoleão com a ministra Cármen Lúcia
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