A Copa do Mundo ultrapassou os limites dos gramados e se transformou em instrumento de aprendizagem para estudantes do Colégio Estadual Celso Mendes de Lima, no município de Conde. Aproveitando o interesse despertado pelo torneio, a escola desenvolveu um projeto que incentivou pesquisas sobre a história, a cultura e as tradições de países africanos classificados para a competição, promovendo reflexões sobre diversidade, ancestralidade e educação antirracista.
Batizada de "África em Campo: Cultura, História e Futebol na Copa do Mundo", a iniciativa envolveu estudantes da 1ª e da 3ª série do Ensino Médio, que se dedicaram a pesquisar aspectos históricos, culturais e esportivos de Egito e Cabo Verde. O trabalho resultou em apresentações para toda a comunidade escolar, reunindo informações sobre danças, vestimentas, manifestações culturais e a relação desses países com o futebol.
O projeto foi idealizado pelo professor de Língua Portuguesa Heraldo Boa Morte, que desenvolve ações voltadas à valorização da cultura afro-brasileira e da educação antirracista desde 2013. Segundo ele, a proposta busca ampliar a compreensão dos estudantes sobre o continente africano e desconstruir estereótipos ainda presentes na sociedade.
"O projeto se consolidou a partir de uma sólida experiência com a educação antirracista, fundamentada na valorização da nossa ancestralidade. Aproveitamos a Copa do Mundo para mostrar que a África não é um país, mas um continente formado por 54 nações, cada uma com características próprias. Conhecer essa diversidade é um passo importante para combater estereótipos e ampliar a visão de mundo dos estudantes", explicou.
Além das pesquisas sobre os países participantes da Copa, a iniciativa também aproximou os alunos da realidade do próprio município ao destacar a importância das comunidades quilombolas de Pedra Grande e Buri. O objetivo foi fortalecer o respeito às identidades locais e estimular a valorização das raízes culturais presentes em Conde.
As apresentações permitiram que os estudantes desenvolvessem habilidades de pesquisa, comunicação e trabalho em equipe, além de ampliarem a confiança para compartilhar o conhecimento construído durante o projeto.
A estudante Natiane da Conceição Dantas, do 3º ano do curso Técnico em Agropecuária, destacou que a experiência foi transformadora. "Para além do aprendizado sobre a história e a cultura africanas, essa vivência proporcionou uma profunda reflexão sobre a importância de valorizar nossas origens e respeitar a diversidade. Foi um momento de enriquecimento intelectual, de emoção e de valiosa troca de conhecimentos. Sou imensamente grata por ter integrado este projeto, que marcou minha trajetória escolar", afirmou.
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