Com o fim da semana enforcada do carnaval, o governo terá como prioridade no Congresso aprovar o Orçamento e avançar com a proposta para isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Ao mesmo tempo, o Executivo terá que lidar com a artilharia que a oposição prepara para surfar na queda de popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A intenção é pressionar com a convocações de ministros e pedidos de informação. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro têm também como missão destravar a proposta de anistia aos condenados pelos atos do 8 de Janeiro de 2023.
— Nossa prioridade agora é votar o Orçamento e avançar com as medidas que vão fazer parte desse colchão que o governo prepara para controlar a inflação e a alta do preço dos alimentos. Sobre a oposição, nós vamos discutir as pautas de interesse do país e, evidentemente, trabalhar para não (passar) anistia — disse o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE).
O Congresso deve iniciar os trabalhos deste ano de fato apenas nesta semana. Até o momento, a Câmara não instalou as comissões temáticas e apenas votou projetos de consenso. O Senado teve somente uma sessão, na qual votou o projeto que libera o pagamento de emendas parlamentares indicadas no Orçamento entre 2019 e 2023, mas que não podiam mais ser utilizados, os chamados "restos a pagar cancelados".
Essa pauta deve ser uma das primeiras a ser votada na próxima semana pela Câmara, que já aprovou a urgência do projeto. Há consenso em torno do projeto entre os deputados.
O avanço desse projeto, atrelado ao acordo selado entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e a cúpula do Congresso sobre as regras para as emendas parlamentares, deve facilitar a aprovação do orçamento 2025.
A Comissão Mista de Orçamento marcou para o dia 11 de março a retomada da discussão sobre o desenho das despesas e receitas da União em 2025. Com isso, a previsão de parlamentares é que a peça seja votada e aprovada até o dia 18 de março. O relatório ainda não foi apresentado pelo senador Angelo Coronel (PSD-BA) e uma das questões é saber qual valor total ele irá destinar para as emendas de comissão.
Além disso, o Ministério do Planejamento deve enviar ainda ao Congresso Nacional uma mensagem de modificação da proposta orçamentária deste ano. Como O GLOBO mostrou, uma das alterações pedidas pelo governo deve ser a inclusão da previsão de despesa com o programa Vale-Gás, em cerca de R$ 3 bilhões.
Também já durante a semana, outro tema que deve ser prioridade no Congresso é a definição dos comandos das comissões temáticas da Câmara. A principal disputa é pelo colegiado de Relações Exteriores e Defesa Nacional, uma das prioridades do PL.
Como O GLOBO mostrou, o PT já assume a possibilidade de desistir da Comissão de Educação como primeira opção de pedida, na tentativa de evitar que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, assuma o comando e já articula uma aliança com o PSDB, ou outro partido de centro, para que o posto no colegiado não seja assumido pelo bolsonarista.
Eduardo, no entanto, não dá sinais de que deverá abrir mão da presidência da Creden, que representa a Câmara diante de organismos internacionais, além de debater e votar projetos relacionados à política externa ou relações diplomáticas do país.
— Estou aguardando presidir a Creden, minha intenção é analisar os acordos internacionais que Lula tenha assinado e até mesmo os de Bolsonaro. Quero usar a comissão para analisar aquilo que importa, como instituições internacionais financiando órgãos no Brasil, qual é o interesse—disse Eduardo ao GLOBO.
No curto e médio prazos, o Congresso deve se debruçar sobre possíveis mudanças nas regras eleitorais. Há pressa em aprovar e sancionar alterações até o início de outubro para que novas regras possam valer já para as eleições de 2026. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve instalar ainda em março uma comissão para analisar as mudanças.
Já no Senado os projetos que tratam sobre esses temas estão concentrados na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que passa a ser presidida este ano pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), e sob a relatoria do senador Marcelo Castro (MDB-PI). Estão entre as possíveis mudanças a criação de reserva de cadeira para mulheres nos legislativos e alterações na contagem de prazo de condenados a inelegibilidade.
O governo aguarda ainda a aprovação do Orçamento para o envio do projeto que prever isenção de Imposto de Renda a quem ganha até R$ 5 mil. O Executivo tem ajustado o melhor o momento de enviar o texto com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Há um comprometimento de ambos de priorizar essa pauta assim que ela chegar ao parlamento.
A promessa de campanha de Lula deve valer apenas a partir de 2026, ano eleitoral, caso seja aprovado pelo Congresso até lá.
Também uma das prioridades do governo, o Congresso pode se debruçar sobre a limitação dos supersalários no serviço público. A ideia é usar um dos projetos que já estão no parlamento para retomar o assunto, já que a medida do pacote de corte de gastos que endurecia as regras para a contabilidade do teto salarial foi desidratada pelos parlamentares. Esse tema foi tratado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, com os líderes do Senado no começo de fevereiro.
Líderes do PL e o ex-presidente Jair Bolsonaro vêm buscando apoio para o projeto que anistia os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. Uma das estratégias para conseguir mais adesão é reduzir o escopo da proposta. Ainda não está definido se o texto vai ser discutido por uma comissão especial na Câmara, se será votado na CCJ ou se pode ser pautado diretamente em plenário. O texto original é de autoria do ex-deputado Major Vitor Hugo (PL-GO), que foi líder do governo de Jair Bolsonaro (PL).
— Primeiro precisar eleger os presidentes das comissões, mas a prioridade será votar a anistia — afirma o vice-presidente da Câmara Sóstenes Cavalcante (PL-RJ).
O projeto foi protocolado antes mesmo dos ataques de 8 de janeiro, quando já haviam bloqueios nas estradas e tentativas de pressionar contra o resultado da eleição presidencial de 2022. Se passar na Câmara, no entanto, a proposta deve ter dificuldade de transitar pelo Senado, onde o presidente da Casa, já afirmou que isso “não é assunto dos brasileiros”.
A mesma resistência vinda do Senado é esperada para o projeto de lei complementar apresentado pelo deputado bolsonarista Bibo Nunes (PL-RS) para reduzir o tempo de inelegibilidade previsto na Lei da Ficha Limpa, com o objetivo de recolocar o ex-presidente Jair Bolsonaro no xadrez eleitoral de 2026.
O semestre no Congresso deve contemplar ainda a retomada das comissões mistas, responsáveis por analisar medidas provisórias do governo. Alcolumbre anunciou a líderes do Senado, no começo do mês, que estava negociando com a Câmara a retomada do rito constitucional.
— A situação do preço dos alimentos é urgente, mas pode ter uma solução de curto prazo como MP ou decreto, mas a agenda econômica é o topo da lista — afirmou o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (MDB-AM).
Nos últimos dois anos, os colegiados de medidas provisórias ficaram em compasso de espera diante de um impasse entre os ex-presidentes do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e da Câmara Arthur Lira (PP-AL).
Durante o conflito, Lira quis ampliar a quantidade de deputados em cada uma dessas comissões, o que Pacheco não aceitou. Senadores que participaram da reunião não deram detalhes sobre como esse rito deve ser retomado agora.
Política Depois de isentar IR até R$ 5 mil, Lula sinaliza para isenção de PLR e fim da escala 6x1
Política STF determina que Bolsonaro cumpra início da pena de 27 anos na carceragem da PF
Política Heleno e Paulo Sérgio Nogueira são presos após condenação pela tentativa de golpe
Política “A ficha caiu”, diz cúpula do Exército sobre pedido de aposentadoria antecipada de Mauro Cid
Política Lindbergh Farias alerta para conspiração de anistia a Bolsonaro e ameaça contra Lula e Moraes
Política Combate ao crime organizado no setor de combustíveis: um marco histórico para o Brasil Mín. 22° Máx. 34°
Mín. 22° Máx. 35°
Tempo nubladoMín. 20° Máx. 37°
Tempo limpo
Daniel Grave Treinamento presencial detalha transição do sistema tributário e mudanças na gestão municipal
Kelly Amado CESOL promove Roda de Conversa com Mulheres em Rio Real no dia 9 de fevereiro
Silvania Senna Pós-festas sem culpa: estratégia nutricional para reduzir inchaço e reorganizar a alimentação