O turismo é muito mais do que viajar, visitar lugares ou promover destinos. Por trás de uma atividade capaz de movimentar hotéis, restaurantes, transportes, comércio, cultura, eventos e inúmeros serviços, existe planejamento. E é justamente nesse espaço que o trabalho do turismólogo assume papel estratégico.
No Dia do Turismólogo, a data é uma oportunidade para ampliar a compreensão sobre uma profissão que participa diretamente da organização e do desenvolvimento de uma das atividades econômicas de maior alcance no país.
A profissão de turismólogo é reconhecida pela Lei Federal nº 12.591, de 18 de janeiro de 2012. Entre as atribuições previstas estão planejar e gerir atividades ligadas ao turismo, identificar potencialidades e deficiências de destinos, desenvolver roteiros e produtos turísticos, realizar estudos de viabilidade, trabalhar com pesquisas de demanda e elaborar projetos de promoção e marketing dos destinos. Isso significa que o trabalho do turismólogo começa muito antes da chegada do visitante.
É esse profissional que estuda o potencial de uma região, avalia sua infraestrutura, identifica atrativos, organiza roteiros, propõe experiências, analisa o perfil dos visitantes e auxilia o poder público e a iniciativa privada na definição de estratégias para que a atividade turística cresça de maneira estruturada.
Na Bahia, turismo é estratégia econômica
Essa atuação ganha dimensão ainda maior na Bahia, onde o turismo ocupa posição relevante na economia e encontra uma diversidade difícil de reunir em um único território: patrimônio histórico, manifestações culturais, festas populares, gastronomia, turismo religioso, praias, ilhas, áreas rurais, unidades de conservação, destinos de aventura e uma extensa diversidade de experiências.
Os números ajudam a demonstrar essa força
Em 2025, o volume das atividades turísticas na Bahia cresceu 6,6%, superando a expansão nacional de 4,6%. Foi o terceiro ano consecutivo em que o desempenho baiano ficou acima da média brasileira, segundo levantamento da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), baseado em dados do IBGE.
Também em 2025, mais de 211 mil turistas internacionais chegaram ao Brasil pela Bahia, crescimento de 47,3% em relação ao ano anterior, segundo dados divulgados pela Secretaria de Turismo do Estado com base em informações da Embratur e da Polícia Federal.
Durante a alta temporada 2024/2025, o estado recebeu cerca de 9,4 milhões de turistas, que movimentaram aproximadamente R$ 23,7 bilhões na economia baiana, conforme dados divulgados pela Setur-BA.
São números que ajudam a explicar por que turismo não pode ser tratado apenas como entretenimento. Trata-se de uma cadeia econômica extensa, com capacidade de estimular investimentos, ampliar a arrecadação, fortalecer pequenos negócios e gerar oportunidades de trabalho em diferentes segmentos.
Potencial turístico não basta
Possuir belezas naturais, patrimônio histórico ou manifestações culturais importantes não garante, por si só, o desenvolvimento turístico.
Um destino precisa ser planejado.
É necessário pensar em acessibilidade, mobilidade, infraestrutura, sinalização, qualificação dos serviços, preservação ambiental, valorização da cultura local, segurança, comunicação, promoção e capacidade de receber visitantes sem comprometer a qualidade de vida de quem vive no território.
É nesse ponto que o conhecimento técnico do turismólogo se torna especialmente relevante.
Cabe ao profissional olhar para o território não apenas como um lugar a ser divulgado, mas como um conjunto de relações econômicas, sociais, culturais e ambientais que precisam funcionar de maneira integrada.
Também é função desse planejamento evitar que municípios com grande potencial permaneçam à margem dos principais fluxos turísticos simplesmente porque seus atrativos não foram estruturados, conectados ou transformados em produtos capazes de chegar ao mercado.
Interiorização amplia oportunidades
Na Bahia, esse debate também passa pela descentralização do turismo. Salvador, Porto Seguro, Chapada Diamantina e outros destinos consolidados exercem papel fundamental, mas o estado possui um número muito maior de municípios com patrimônio histórico, manifestações culturais, gastronomia, festas, natureza e atividades capazes de integrar novos roteiros. Estruturar esses territórios pode distribuir melhor os resultados econômicos da atividade.
Um roteiro turístico bem planejado pode beneficiar não apenas hotéis e grandes empresas, mas pousadas, restaurantes, agricultores, artesãos, motoristas, guias, produtores culturais, comerciantes e pequenos empreendedores. O turista que permanece mais tempo no destino, circula por diferentes localidades e consome produtos locais amplia o impacto econômico da viagem. Por isso, pensar turismo significa também pensar desenvolvimento regional.
Turismo precisa de profissionais
Quanto maior se torna o setor, maior é a necessidade de planejamento profissional. O crescimento registrado na Bahia representa oportunidade, mas também aumenta a responsabilidade sobre gestores públicos, empresários e profissionais envolvidos na cadeia turística.
Atrair visitantes é apenas uma etapa. É preciso criar condições para recebê-los bem, estimular sua permanência, oferecer experiências qualificadas e, sobretudo, fazer com que a riqueza movimentada pelo turismo alcance as comunidades que sustentam a identidade de cada destino. Nesse processo, o turismólogo não deve ser visto apenas como alguém que promove viagens ou apresenta lugares. É um profissional de planejamento, gestão e desenvolvimento.
Celebrar o Dia do Turismólogo, portanto, é reconhecer quem trabalha para transformar patrimônio em experiência, potencial em produto turístico e fluxo de visitantes em oportunidades de emprego, renda, preservação cultural e desenvolvimento sustentável.
Em um país com a dimensão turística do Brasil — e em um estado com a diversidade e a força da Bahia — investir em turismo também passa por valorizar os profissionais que estudam, planejam e ajudam a construir seus destinos.
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Graduada em Turismo e pós-graduada em Marketing Digital, Kelly Amado, hoje, atua como assessora de comunicação do NTE 18, cerimonialista, produtora de eventos e professora na área de Educação Profissional.
Na Prefeitura de Alagoinhas, atuou como coordenadora de cultura sendo responsável pela concepção e execução de diversos eventos. Posteriormente, foi responsável pela criação da diretoria de turismo de Alagoinhas, dinamizando o setor ao ocupar o cargo de diretora, inclusive inserindo Alagoinhas no Mapa do Turismo Brasileiro do Ministério do Turismo, em 2017, o que possibilitou acesso a recursos para investimento em locais com potencial turistico.
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