A psicóloga Rebeca Cerqueira, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental do Hospital Alagoinhas, unidade do Grupo Athena Saúde no agreste baiano, orienta sobre a importância de observar mudanças no comportamento e construir espaços de escuta para pessoas que podem estar enfrentando sofrimento emocional.
Uma mudança na forma de agir, a perda de interesse por atividades habituais ou um afastamento repentino das pessoas podem passar despercebidos quando vistos de maneira isolada. Mas, quando essas alterações se tornam persistentes e começam a afetar a rotina, podem indicar que existe algum sofrimento por trás daquele comportamento.
É nesse ponto que a atenção de familiares, amigos e outras pessoas próximas pode fazer diferença. Entre os sinais que merecem ser observados estão alterações no sono e no apetite, irritabilidade, isolamento, queda no rendimento, perda de interesse e manifestações de desesperança. A presença desses comportamentos, por si só, não permite estabelecer um diagnóstico, mas pode indicar a necessidade de uma conversa e de orientação profissional.
A campanha Setembro Amarelo amplia esse debate ao colocar a saúde emocional no centro das discussões sobre prevenção. Para Rebeca Cerqueira, não é necessário esperar que uma pessoa consiga explicar exatamente o que está acontecendo para que ela receba atenção.
“Nem sempre a pessoa vai dizer diretamente que está sofrendo ou que precisa de ajuda. Por isso, é importante observar mudanças que fogem do comportamento habitual, principalmente quando elas persistem ou começam a interferir na rotina”, explica.
O acolhimento, entretanto, não significa pressionar alguém a falar ou tentar solucionar sozinho aquilo que ela está enfrentando. A especialista alerta para a importância de evitar julgamentos, cobranças e comentários que minimizem a dor. Ouvir com atenção e demonstrar disponibilidade pode ajudar a estabelecer uma relação de confiança.
“Quando percebemos que alguém não está bem, não precisamos ter todas as respostas. Muitas vezes, estar disponível para ouvir, demonstrar preocupação genuína e ajudar essa pessoa a encontrar atendimento especializado já é uma forma importante de cuidado”, afirma a psicóloga.
A preocupação com a saúde emocional também está presente na rotina do Hospital Alagoinhas. Para quem precisa permanecer internado, o afastamento da rotina e das pessoas próximas pode vir acompanhado de sentimentos como ansiedade, medo e insegurança.
Nesse contexto, o atendimento psicológico integra a assistência oferecida pela unidade. O hospital dispõe de Serviço de Psicologia e acompanhamento psicológico no leito, permitindo que questões emocionais relacionadas ao período de internação sejam identificadas e acolhidas.
A proposta de humanização também inclui iniciativas que aproximam o paciente de elementos importantes de sua vida. O hospital realiza ações como o Amigo Pet e o Aniversário do Paciente Internado, sempre considerando as condições clínicas e os protocolos de segurança da unidade. O Protocolo de Atendimento Humanizado também faz parte dessas iniciativas.
Para Rebeca, considerar as emoções do paciente é parte de uma assistência que vai além do tratamento da doença. “A hospitalização é um momento de vulnerabilidade e, por isso, cuidar do paciente significa olhar para além do diagnóstico e do tratamento”, ressalta.
A experiência hospitalar, portanto, reforça uma perspectiva que também se aplica à prevenção fora desse ambiente: o cuidado emocional precisa acontecer de forma contínua, e não apenas quando uma situação já se tornou crítica.
“É importante perceber sinais, conversar sobre saúde emocional sem preconceitos, fortalecer redes de apoio e garantir que a pessoa tenha acesso à ajuda de que precisa”, conclui a psicóloga.
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