Quarta, 15 de Abril de 2026
Brasil Cultura

Maria Marighella e a reconstrução da política pública para as artes

Gestão à frente da Funarte reposiciona o papel do Estado, amplia o fomento e estrutura bases duradouras para o setor cultural

15/04/2026 09h02 Atualizada há 3 horas atrás
Por: Redação Fonte: Tarcio Mota
Maria Marighella e a reconstrução da política pública para as artes

Maria, que é Mariguella, e carrega no nome e no DNA a ancestralidade de heróis que lutaram pela democracia e a libertação do povo brasileiro, deixou a presidência da Fundação Nacional de Artes (FUNARTE) no início de abril, para disputar uma vaga à Câmara dos Deputados pela Bahia nas eleições de outubro próximo. Sua gestão, iniciada em 2023, foi marcada por um período relevante para a reorganização das políticas públicas para as artes no Brasil, estando inserida em um contexto de retomada institucional e de recomposição do papel do Estado no campo cultural.

Ao longo desse período, a atuação da Funarte passou a combinar reestruturação administrativa, ampliação do investimento público e formulação de instrumentos de política cultural com maior alcance sistêmico.

A reestruturação administrativa implementada durante a gestão de Mariguella atualizou o desenho institucional da Funarte. A criação de diretorias específicas para áreas como circo, dança, teatro e memória dialoga diretamente com a diversidade das linguagens artísticas e com demandas históricas dos setores.

Ao reabrir o Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, recolocou em funcionamento um dos principais espaços simbólicos da política cultural brasileira, ao mesmo tempo em que reforçou a presença institucional da Fundação.

O fortalecimento do quadro técnico, com a previsão de ingresso de novos servidores efetivos, é uma outra marca significativa que amplia a capacidade de planejamento e execução das políticas públicas, elemento central para a continuidade das ações.

Política Nacional das Artes e estruturação do setor

A instituição da Política Nacional das Artes (PNA), em 2026, constitui o principal eixo estruturante da gestão de Maria. A política organiza o campo das artes a partir de uma abordagem integrada, conectando criação, difusão, acesso, memória, formação e financiamento.

Esse desenho contribuiu para superar a fragmentação histórica das políticas culturais, ao estabelecer diretrizes comuns e incentivar a articulação entre os diferentes níveis federativos. A ampliação das possibilidades de financiamento e a integração com outras áreas de política pública também indicam um esforço de inserção das artes em uma agenda mais ampla de desenvolvimento.

A PNA consolida, ainda, princípios como diversidade cultural, liberdade de expressão e inclusão, reafirmando o caráter público das políticas para as artes.

Outra importante conquista a ser celebrada está relacionada ao processo de financiamento, à consolidação de programas e ao alcance territorial das políticas para as artes. Os dados de investimento indicam uma ampliação relevante da atuação da Funarte. Mais de R$ 200 milhões foram destinados a cerca de 1.200 projetos em todo o país, o que contribui para ampliar a presença institucional em diferentes territórios.

Programas como o Funarte Retomada e o Apoio a Ações Continuadas atuam em duas frentes complementares: resposta a demandas imediatas e construção de condições de sustentabilidade para iniciativas culturais.

A retomada dos circuitos de difusão artística reforça a circulação de obras e artistas, elemento importante para a integração do sistema cultural e para a ampliação do acesso público.

Memória, perspectivas e continuidade

A centralidade atribuída à memória das artes se expressa na criação de estruturas específicas e no fortalecimento do Centro de Documentação e Pesquisa. A preservação e a difusão de acervos passam a integrar de forma mais consistente a política cultural.

A participação social também se configura como componente relevante da gestão que se encerra, com a realização de encontros nacionais e a constituição de espaços de diálogo com agentes culturais. Esse processo contribui para qualificar a formulação das políticas públicas e ampliar sua legitimidade.

O conjunto das ações desenvolvidas ao longo dos últimos três anos consolida um conjunto de bases institucionais e programáticas que tendem a orientar a política cultural nos próximos anos. A combinação entre reorganização institucional, estruturação de políticas e ampliação do investimento aponta para um modelo de atuação estatal mais articulado e com maior capacidade de indução no campo das artes.

Nesse percurso, a presença de Maria Marighella à frente da Fundação Nacional de Artes adquire um significado que ultrapassa a dimensão administrativa. Sua atuação se insere em uma tradição de formulação política comprometida com a democratização do acesso à cultura e com o reconhecimento da diversidade artística brasileira. Para a Bahia, há ainda um componente simbólico relevante: ao lado de Margareth Menezes, Marighella ocupou posições centrais na condução da política cultural nacional, projetando a experiência, a sensibilidade e a força política de baianos e baianas nos espaços mais estratégicos do Estado brasileiro. Trata-se de um marco que reforça o protagonismo do Nordeste na agenda cultural do país e amplia o horizonte de referências para as políticas públicas de cultura no Brasil.

 

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Tarcio Mota
Sobre Tarcio Mota

Tárcio Mota é um profissional consolidado no campo da cultura, comunicação e participação social, com experiência comprovada em gestão pública, produção cultural, consultoria técnica e articulação institucional. Sua trajetória demonstra não apenas capacidade técnica, mas compromisso com a inclusão cultural, com o desenvolvimento regional e com a construção de políticas que favoreçam o acesso e a sustentabilidade do setor cultural.

Com ampla experiência na formulação, gestão e implementação de políticas culturais, articulando cultura, participação social e desenvolvimento territorial, seu histórico profissional combina atuação no setor público, terceiro setor, instituições do Sistema S e iniciativas independentes, sempre com foco na democratização do acesso à cultura e no fortalecimento de redes culturais

*Experiência Profissional*

Gestão Pública & Cultura

Superintendente de Participação Popular – Prefeitura de Alagoinhas

Coordenador do Centro de Cultura de Alagoinhas

Gestor Cultural – Secretaria de Cultura do Estado da Bahia

Terceiro Setor & Sistema S

Produtor Cultural – SESC Bahia

Coordenador de Projetos – Cáritas Diocesana de Alagoinhas – Projeto Cisternas

Consultoria em Políticas Culturais

Consultor para as prefeituras de Inhambupe e Aramari

Assessoramento na elaboração de planos, diagnósticos e articulação com comunidade e organizações culturais

Comunicação & Educação

Analista de Comunicação – Assembleia Legislativa da Bahia / Câmara dos Deputados

Professor da rede estadual de ensino

Projetos e Contribuições Independentes

Atuando por meio da Oxente Gestão Cultural, Tárcio idealizou e executou projetos culturais independentes focados em:espetáculos artísticos;exposições temáticas;ações formativas;mobilização de públicos diversos;fortalecimento da economia criativa local

*Formação*

Graduado em Jornalismo (UFRB), Mestre em Crítica Cultural (UNEB), Doutorando em Cultura e Sociedade (UFBA), o jovem profissional ainda possui ampla formação complementar no campo cultural e social:

Diálogos Nacionais: Legados da Lei Aldir Blanc – Escola de Políticas Culturais

Elaboração e Gestão de Projetos Sociais e Culturais – UFRB

Comunicação e Políticas Públicas – Fundação Perseu Abramo

Captação de Recursos e Elaboração de Projetos – Consultre

Produção Cultural – SEBRAE/BA

Gestão Cultural (Metodologia PEC) – SEBRAE

Financiamento da Cultura – SEBRAE/BA

Gestão e Produção Cultural – UFRB

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