A pesquisadora e empreendedora cultural Rafaela Azevedo e o compositor, cantor e percussionista Hebert Matheus, ambos de Alagoinhas, participarão da primeira edição do Mercado das Indústrias Culturais e Criativas de Moçambique (MICMZ), que acontece entre os dias 30 de julho e 7 de agosto. Os dois integram a equipe do projeto AJEUM – Gastronomia e Bem Viver para Mulheres Afrodiaspóricas, iniciativa voltada à valorização dos saberes ancestrais e ao fortalecimento do intercâmbio cultural entre a Bahia e o país africano.
No evento, o projeto desenvolverá atividades relacionadas à etnogastronomia e à música, utilizando essas expressões como ferramentas para promover o diálogo entre diferentes territórios, culturas e tradições afro-diaspóricas.
A presença dos dois alagoinhenses em um evento internacional reforça a contribuição do município para a produção cultural baiana. Rafaela Azevedo é fundadora do Flor de Feijão e desenvolve pesquisas que articulam gastronomia, arte e cultura, tendo como foco a culinária vegetal e a valorização das culturas afro-indígenas.
Já Hebert Matheus dedica sua trajetória à música e às ações socioculturais. Além de atuar com projetos voltados à terceira idade, o artista pesquisa as sonoridades das matrizes africanas, aproximando cultura, educação e participação comunitária em seus trabalhos.
A equipe do AJEUM também reúne a chef de cozinha afro-indígena Rose Braga, ativista negra, escritora, afroempreendedora e guardiã da Casa Cria, na Aldeia Hippie de Arembepe, e Lara Nunes, poeta, cantora, compositora e produtora cultural de Camaçari, integrante da banda KalunduH.
Ao integrar culinária, música, poesia e práticas de cuidado, o projeto busca estimular o compartilhamento de conhecimentos e fortalecer a valorização das tradições ancestrais. A proposta apresenta a gastronomia como patrimônio cultural e como instrumento de transformação social, estabelecendo conexões com diferentes linguagens artísticas e experiências coletivas.
Além de ampliar a circulação internacional da produção cultural baiana, a participação no MICMZ aproxima Brasil e Moçambique por meio de histórias, memórias e referências ligadas às matrizes africanas. O encontro cria oportunidades de intercâmbio entre artistas, pesquisadores, cozinheiras tradicionais e agentes culturais, fortalecendo redes de cooperação e dando maior visibilidade às iniciativas desenvolvidas na Bahia.
O projeto AJEUM conta com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio do Fundo de Cultura, da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA) e da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (Sefaz-BA). A gestão administrativa é realizada pela OMI Plataforma, com apoio institucional internacional do MICMZ, do Fundo CICLA e da Flotar Plataforma.
Rafaela Azevedo

Lara Nunes

Rose Braga
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