Falar de turismo é, muitas vezes, falar de paisagens, roteiros e experiências. Mas há uma dimensão menos visível, embora decisiva, que sustenta tudo isso: a qualificação de quem está na linha de frente do setor. O início das primeiras turmas do curso gratuito de inglês básico do QualiTurismo Bahia traz justamente essa reflexão. Em um cenário em que o fluxo de visitantes estrangeiros cresce e a atividade turística se torna cada vez mais exigente, preparar os profissionais para se comunicar melhor, atender com mais segurança e oferecer informações claras deixa de ser um diferencial e passa a ser parte da estrutura do próprio destino.
E talvez esteja aí um dos pontos mais interessantes dessa iniciativa. Entre os primeiros participantes do curso de inglês básico do programa, que teve início na segunda-feira (23), no auditório da Casa do Comércio, em Salvador, estão guias de turismo, agentes de viagens e baianas de acarajé. Profissionais de diferentes frentes, mas que compartilham algo em comum: todos representam, à sua maneira, a experiência que o visitante leva da Bahia. É um recorte simbólico e, ao mesmo tempo, bastante concreto. Porque o turismo não se resume aos grandes equipamentos ou aos eventos de maior visibilidade. Ele acontece também no atendimento, na conversa, na explicação de um prato típico, na orientação dada ao visitante, na confiança transmitida em um simples contato.
O inglês, nesse contexto, aparece como ferramenta de trabalho. Saber informar preços, explicar ingredientes, orientar sobre formas de pagamento, apresentar serviços e lidar com situações do cotidiano faz diferença em uma atividade que depende, em grande parte, da comunicação. Mais do que ensinar um idioma, o curso toca em um ponto essencial: a profissionalização do acolhimento. Esse é um debate importante porque, por muito tempo, o turismo foi tratado apenas sob a ótica da promoção. Divulgar é importante, claro. Mas não basta. O setor também precisa investir em preparo, em estrutura humana e em qualificação contínua para que o crescimento seja sustentado por qualidade.
O QualiTurismo Bahia, ao ofertar 15 mil vagas em municípios das 13 zonas turísticas do estado, sinaliza uma compreensão mais ampla desse processo. E quando se observa que as capacitações envolvem, além da língua estrangeira, temas como atendimento qualificado, marketing digital, empreendedorismo e gestão de serviços, percebe-se que há uma tentativa de olhar o turismo de forma mais integrada. Isso é relevante. Porque o turista percebe quando o destino está preparado. Percebe no atendimento, na segurança da informação, na forma como é recebido e até na confiança com que um profissional conduz uma interação simples.
A capacitação gratuita é uma iniciativa do Governo do Estado, por intermédio da Secretaria de Turismo (Setur-BA), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). O objetivo é preparar profissionais e pequenos empreendedores do setor, além de pessoas que pretendem entrar no mercado, para qualificar os serviços oferecidos aos visitantes nos destinos baianos.
No fim das contas, qualificar o turismo é também qualificar a experiência.
E experiências bem construídas são, quase sempre, o que permanece na memória de quem passa.
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Graduada em Turismo e pós-graduada em Marketing Digital, Kelly Amado, hoje, atua como assessora de comunicação do NTE 18, cerimonialista, produtora de eventos e professora na área de Educação Profissional.
Na Prefeitura de Alagoinhas, atuou como coordenadora de cultura sendo responsável pela concepção e execução de diversos eventos. Posteriormente, foi responsável pela criação da diretoria de turismo de Alagoinhas, dinamizando o setor ao ocupar o cargo de diretora, inclusive inserindo Alagoinhas no Mapa do Turismo Brasileiro do Ministério do Turismo, em 2017, o que possibilitou acesso a recursos para investimento em locais com potencial turistico.
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