Terça, 16 de Junho de 2026
Bahia Turismo

São joão, Forró e Identidade cultural: o alerta que surge a partir do posicionamento de Flávio José

Questionamentos sobre cachês e espaço nas programações reacendem a preocupação com o reconhecimento dos artistas que ajudaram a construir a identidade cultural e turística do São João nordestino

16/06/2026 10h59 Atualizada há 2 horas atrás
Por: Redação Fonte: Kelly Amado
Divulgação
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O posicionamento de Flávio José ao cancelar apresentações na Bahia, após os questionamentos envolvendo seu cachê, trouxe visibilidade para uma preocupação antiga de artistas, admiradores do forró e defensores da cultura nordestina: o reconhecimento daqueles que ajudaram a construir a história do São João.

O episódio ganhou repercussão porque ultrapassa a situação de um único artista. Para muitos, causou estranheza ver o cachê de um dos maiores nomes da música nordestina ser alvo de questionamentos, especialmente diante da trajetória construída ao longo de décadas e da contribuição que seu trabalho representa para a cultura popular brasileira.
 
Essa percepção não se limita a Flávio José. Nomes como Adelmário Coelho, Santanna, O Cantador, Dorgival Dantas, Flávio Leandro, Oswaldinho do Acordeon e tantos outros artistas carregam um legado que ajudou a transformar o forró em um dos maiores símbolos culturais do Nordeste. O caso de Santanna, O Cantador, ausente da programação do São João de Campina Grande, também chamou atenção e reforçou um sentimento compartilhado por muitos admiradores da cultura junina.
 
Ao mesmo tempo, é impossível falar sobre valorização sem olhar para os artistas locais. Em cada município nordestino existem sanfoneiros, trios de forró, compositores e músicos que mantêm viva essa tradição durante todo o ano. No Litoral Norte e Agreste Baiano, assim como em diversos territórios da Bahia e do Nordeste, são esses profissionais que preservam repertórios, saberes e histórias que atravessam gerações.
 
O ponto central não está na exclusão de ninguém. O que se questiona é a prioridade dada ao forró em uma festa que nasceu, cresceu e se consolidou através dele. O forró possui diferentes vertentes, diferentes sonoridades e diferentes gerações de artistas. Do pé de serra aos grandes nomes que modernizaram o gênero ao longo do tempo, todos fazem parte dessa construção cultural.
 
Também é preciso superar a ideia de que apenas atrações de outros segmentos musicais são capazes de gerar grandes resultados econômicos. O próprio histórico dos festejos juninos demonstra que o forró possui força para atrair visitantes, movimentar hotéis, pousadas, restaurantes, ambulantes, pequenos empreendedores e fortalecer a economia local.
 
O turismo cultural encontra no São João um de seus maiores exemplos. Pessoas viajam para vivenciar experiências autênticas, conhecer tradições, ouvir sanfona, participar das festas populares e sentir a identidade dos territórios. O forró não é apenas parte dessa experiência. Ele é um de seus principais elementos. Por isso, muitos consideram preocupante como alguns artistas têm sido tratados nos últimos anos. Em determinados casos, os valores ofertados e a falta de espaço em programações importantes são percebidos como desrespeitosos e até insultantes diante da relevância histórica desses profissionais para a cultura nordestina.
 
Mais do que uma pauta sobre cachês, o que está em jogo é o respeito à memória, ao legado e à contribuição daqueles que ajudaram a transformar o São João em uma das maiores manifestações culturais do Brasil. Preservar não é impedir que a cultura evolua. Preservar é garantir que suas raízes continuem ocupando o lugar que lhes pertence. E quando falamos de São João, essas raízes têm som de sanfona, triângulo e zabumba.
 
 
 
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Kelly Amado
Sobre Kelly Amado

Graduada em Turismo e pós-graduada em Marketing Digital, Kelly Amado, hoje, atua como assessora de comunicação do NTE 18, cerimonialista, produtora de eventos e professora na área de Educação Profissional.

Na Prefeitura de Alagoinhas, atuou como coordenadora de cultura sendo responsável pela concepção e execução de diversos eventos. Posteriormente, foi responsável pela criação da diretoria de turismo de Alagoinhas, dinamizando o setor ao ocupar o cargo de diretora, inclusive inserindo Alagoinhas no Mapa do Turismo Brasileiro do Ministério do Turismo, em 2017, o que possibilitou acesso a recursos para investimento em locais com potencial turistico.

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