Segunda, 15 de Junho de 2026
Mundo Turismo

Copa do Mundo 2026: os desafios de sediar um evento global em um país cada vez mais hostil

Restrições migratórias, controvérsias envolvendo delegações e episódios recentes colocam em debate um dos princípios fundamentais do turismo: a hospitalidade

15/06/2026 07h48
Por: Redação Fonte: Kelly Amado
Imagem Kelly Amado
Imagem Kelly Amado
A Copa do Mundo é um dos maiores eventos do turismo esportivo mundial. Ela movimenta bilhões de dólares, aquece economias, fortalece destinos turísticos e impulsiona setores como hotelaria, gastronomia, transporte, comércio e entretenimento. Para milhões de pessoas, acompanhar sua seleção significa anos de planejamento, investimento financeiro e a realização de um sonho.
 
Por isso, sediar uma Copa do Mundo exige muito mais do que infraestrutura. Estádios modernos, aeroportos eficientes, rede hoteleira e capacidade financeira são requisitos indispensáveis. No entanto, a experiência desta edição reacende uma discussão que precisa ganhar espaço: hospitalidade também deveria ser um critério determinante na escolha de um país-sede.
 
Nos primeiros dias da competição, episódios amplamente divulgados pela imprensa internacional chamaram atenção. Entre eles, o impedimento da entrada do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan nos Estados Unidos. Outro caso amplamente debatido envolveu a seleção do Irã. Diante das restrições impostas pelo governo de Donald Trump, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, manifestou disposição para receber a equipe em território mexicano para treinamentos durante a competição. O episódio chamou atenção por expor uma situação difícil de compreender em um evento que deveria promover integração entre povos e nações.
 
O debate também não pode ser reduzido a uma única forma de discriminação. A discussão é a capacidade de um país receber pessoas de diferentes origens, nacionalidades, culturas, religiões, identidades e visões de mundo. A hospitalidade não admite seletividade. Uma Copa do Mundo pressupõe abertura, convivência e respeito à diversidade.
 
Se essas restrições e barreiras já eram previsíveis em razão das políticas adotadas pela administração norte-americana, por que a FIFA não avaliou esse cenário com mais rigor antes de confirmar os Estados Unidos como principal sede do torneio? Essa é uma pergunta que precisa ser feita.

Infraestrutura é obrigação. 
 
O debate que surge agora é outro: esses critérios, sozinhos, são suficientes? Talvez tenha chegado o momento de a FIFA repensar seus parâmetros de escolha. Hospitalidade, respeito à diversidade e capacidade de receber visitantes de diferentes nacionalidades deveriam ter peso semelhante ao da infraestrutura. Existem países com condições de sediar grandes eventos internacionais e que ainda aguardam essa oportunidade.
 
Sob o comando de Donald Trump, os Estados Unidos têm projetado uma imagem marcada por restrições, tensões diplomáticas e endurecimento de fronteiras. Em um país frequentemente associado a conflitos e disputas geopolíticas, a realização de um evento cuja essência é aproximar povos acaba gerando contradições que não podem ser ignoradas.
 
A Copa do Mundo foi criada para unir. Quando as notícias sobre barreiras, impedimentos e restrições passam a ocupar espaço semelhante ao do próprio esporte, é sinal de que algo falhou. E essa reflexão precisa alcançar não apenas o país anfitrião, mas também quem escolheu a sede.
 
A Copa do Mundo passa. O legado que permanece é a imagem que um país deixa para o mundo.
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Kelly Amado
Sobre Kelly Amado

Graduada em Turismo e pós-graduada em Marketing Digital, Kelly Amado, hoje, atua como assessora de comunicação do NTE 18, cerimonialista, produtora de eventos e professora na área de Educação Profissional.

Na Prefeitura de Alagoinhas, atuou como coordenadora de cultura sendo responsável pela concepção e execução de diversos eventos. Posteriormente, foi responsável pela criação da diretoria de turismo de Alagoinhas, dinamizando o setor ao ocupar o cargo de diretora, inclusive inserindo Alagoinhas no Mapa do Turismo Brasileiro do Ministério do Turismo, em 2017, o que possibilitou acesso a recursos para investimento em locais com potencial turistico.

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