Salvador voltou a exercer, nesta semana, um papel que faz parte de sua própria história: o de ponte entre culturas, povos e territórios. Desta vez, não apenas como destino turístico, mas também como espaço de aprendizagem, intercâmbio acadêmico e construção de conexões internacionais.
Um grupo formado por 27 universitários brasileiros e estrangeiros viveu uma experiência turística imersiva pela capital baiana durante a programação da BRICS+ Summer School (Escola de Verão), iniciativa da Universidade Federal da Bahia (UFBA) que reúne estudantes de países ligados às economias emergentes. O projeto conta com o apoio da Secretaria de Turismo do Estado da Bahia (Setur-BA).
Jovens do Brasil, Rússia, China, Moçambique e África do Sul participaram de um roteiro cultural por alguns dos principais marcos históricos e simbólicos da cidade. A programação incluiu visitas ao Mercado Modelo, ao Pelourinho e ao Santuário do Senhor do Bonfim, além da travessia pelo Elevador Lacerda, um dos cartões-postais mais emblemáticos de Salvador.
Durante o percurso, os estudantes também tiveram contato direto com a culinária baiana e com manifestações da cultura local. Entre as experiências que marcaram o grupo esteve a parada para experimentar o tradicional sorvete da Ribeira, um clássico da memória afetiva da cidade.
Para muitos deles, foi o primeiro contato com o Brasil. O estudante russo Igor Vladimirov, de 19 anos, destacou o impacto da experiência ao conhecer Salvador. Segundo ele, as tradições culturais da Bahia chamaram atenção e a história da cidade revelou-se fascinante. Em tom bem-humorado, contou que amigos brasileiros chegaram a dizer que ele já se tornou “o mais baiano dos russos”.
Já o universitário moçambicano Bernardo Timboi, de 22 anos, ressaltou as semelhanças culturais entre a Bahia e seu país de origem. Ele comparou o acarajé baiano à badjia, um bolinho tradicional de Moçambique, destacando que, embora existam semelhanças, o sabor do acarajé conquistou seu paladar.
Mais do que um passeio turístico, a iniciativa evidencia uma tendência que vem ganhando força no mundo: o turismo educacional, segmento que une viagens, intercâmbio cultural e experiências de aprendizagem.
Turismo educacional: um segmento em expansão
Universidades e instituições acadêmicas têm buscado cada vez mais destinos que ofereçam experiências culturais autênticas capazes de ampliar a formação dos estudantes para além da sala de aula. Nesse contexto, cidades que reúnem patrimônio histórico, diversidade cultural e forte identidade simbólica acabam se tornando verdadeiros laboratórios vivos de aprendizagem.
Salvador reúne todos esses elementos.
Fundada em 1549 e marcada por uma profunda herança africana, indígena e europeia, a capital baiana apresenta uma riqueza cultural que dialoga diretamente com diversos contextos históricos e sociais do mundo. Caminhar pelas ruas do Pelourinho ou visitar o Bonfim não significa apenas conhecer pontos turísticos. É entrar em contato com processos históricos, com manifestações religiosas e com expressões culturais que ajudam a compreender a formação da sociedade brasileira.
Experiências como a vivida pelos estudantes do BRICS+ demonstram que o turismo pode desempenhar um papel pedagógico importante, aproximando conhecimento acadêmico de vivências culturais reais.
Salvador e as conexões internacionais
A presença de estudantes de países ligados ao BRICS+ também revela outra dimensão estratégica do turismo: sua capacidade de fortalecer relações internacionais. Programas acadêmicos desse tipo costumam gerar impactos que vão além do período de intercâmbio. Muitos desses estudantes retornam aos seus países levando consigo experiências, percepções culturais e conexões que podem resultar em parcerias institucionais, projetos de pesquisa ou até novos fluxos turísticos.
Experiência turística como promoção do destino
Experiência turística como promoção do destino. Quando um visitante estrangeiro vivencia de forma profunda a cultura local, ele pode se tornar um embaixador espontâneo do destino Nesse sentido, Salvador reafirma seu potencial como um território estratégico de diplomacia cultural.
A parceria entre a UFBA e a Setur-BA mostra como o turismo pode dialogar com diferentes áreas, como educação, cultura, economia criativa e cooperação internacional. Ao incluir roteiros turísticos na programação da Escola de Verão, o projeto contribui diretamente para a promoção do destino Bahia em escala global. Cada estudante que participa de uma experiência desse tipo leva consigo histórias, imagens e percepções que acabam circulando em diferentes contextos acadêmicos e sociais.
Em tempos de redes sociais e comunicação global, essas experiências se transformam em narrativas poderosas de promoção turística.
Quando a cidade ensina
Iniciativas como essa reforçam uma característica muito particular de Salvador: a capacidade de ensinar por meio da vivência. Entre ladeiras históricas, sabores marcantes e manifestações culturais que atravessam séculos, a cidade oferece experiências que ultrapassam o simples ato de visitar. O visitante observa, experimenta, sente e, muitas vezes, cria vínculos afetivos com o lugar.
Talvez seja justamente por isso que muitos estrangeiros, ao conhecer Salvador, acabam levando consigo uma sensação curiosa: a de que, em algum momento da viagem, também se tornaram um pouco baianos.
E quando isso acontece, o turismo deixa de ser apenas visita. Passa a ser memória, conexão e pertencimento.
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Graduada em Turismo e pós-graduada em Marketing Digital, Kelly Amado, hoje, atua como assessora de comunicação do NTE 18, cerimonialista, produtora de eventos e professora na área de Educação Profissional.
Na Prefeitura de Alagoinhas, atuou como coordenadora de cultura sendo responsável pela concepção e execução de diversos eventos. Posteriormente, foi responsável pela criação da diretoria de turismo de Alagoinhas, dinamizando o setor ao ocupar o cargo de diretora, inclusive inserindo Alagoinhas no Mapa do Turismo Brasileiro do Ministério do Turismo, em 2017, o que possibilitou acesso a recursos para investimento em locais com potencial turistico.
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